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O Dia Mundial da Água e a vida nas Indústrias

O Dia Mundial da Água foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) por meio da resolução A/RES/47/193, de 21 de fevereiro de 1993, que determinou o dia 22 de março como data oficial para comemorar e realizar atividades de reflexão sobre o significado da água para a vida na Terra. No mesmo dia, a ONU lançou a Declaração Universal dos Direitos da Água, que apresenta entre as principais normas, cinco que destacamos aqui:

  1. A água faz parte do patrimônio do planeta
  2. A água é a seiva do nosso planeta
  3. Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados
  4. O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos
  5. A água não é somente herança de nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores

Refletindo internamente sobre o Dia Mundial da Água, e em ligação direta com o Fórum Mundial da Água que acontece esta semana em Brasília (DF), e pensando, principalmente, na sobrevivência das indústrias, um dos principais interlocutores do trabalho da Âmbito Homem e Ambiente, conversamos com nossa diretora, Elaine Cristina Moreira, que é Mestre em Sustentabilidade Ambiental (UFOP), Auditora e Consultora do atendimento aos requisitos legais aplicáveis ao escopo das normas de gestão ISO 14.001 (gestão ambiental), OHSAS 18.001 (gestão da segurança e saúde ocupacional) e SA 8.000 (gestão da responsabilidade social) de médias e grandes empresas nacionais e internacionais para orientar os empresários, e também os colaboradores das organizações, sobre como economizar água e ajudar o futuro do planeta.

O que podemos fazer para economizar água nas indústrias e estabelecimentos?

Elaine – A primeira medida para a economia de qualquer recurso natural é contabilizar a quantidade gasta em todas as atividades do negócio. As organizações de todos os portes possuem gastos de água diretos e indiretos. Principalmente, na prestação de serviço, a água é matéria prima da atividade, garantia das condições sanitárias do negócio, e conforto para os consumidores. Mapeados os locais de gasto de água e a quantidade é possível estabelecer metas de economia, indicadores que podem ser acompanhados pela gestão da empresa. A segunda medida importante é avaliar as causas dos gastos excessivos, nos locais já mapeados. Geralmente, as causas estão relacionadas aos equipamentos utilizados, ou aos hábitos dos funcionários. Nessa fase é importante se fazer as seguintes perguntas: Como estão os equipamentos hidráulicos e a tubulação? As torneiras estão fechando perfeitamente? As caixas ou válvulas de descarga dos sanitários estão reguladas? Como é feita a limpeza das instalações? A elaboração de planos preventivos e corretivos para verificar regularmente as condições de funcionamento dos equipamentos (vazamentos, corrosões etc) pode responder a maioria dessas perguntas. Outra pergunta importante a se fazer é sobre as tecnologias do mercado que podem reduzir o consumo? Hoje, o mercado oferece torneiras de acionamento automático, temporizadoras e com arejadores. Igualmente, é possível instalar descargas com controle de volume de água diferenciado.

É preciso trocar a torneira com frequência? Qual seria essa frequência?

Elaine – A troca de torneiras antigas pode representar economia de água, principalmente, se forem adotadas novas tecnologias. A instalação de arejadores em torneiras já existentes também pode representar economia desse recurso. A frequência de troca depende da idade e tecnologia do equipamento. Por essa razão é importante mapear os equipamentos e implantar planos preventivos e corretivos de verificação do uso e funcionamento.

*Quanto, em porcentagem, se pode economizar na conta de água realizando os procedimentos indicados?

Elaine – Torneiras mal reguladas, “pingando”, podem “mandar ralo abaixo” até 46 litros de água em um dia. Em um ano, esse número soma 16 mil litros, o que representa cerca de 64 mil copos de água de 250 ml. O plano preventivo, a troca de torneiras temporizadoras ou com arejadores podem economizar até 70% do gasto de água nesses equipamentos. A substituição de vasos sanitários por modelos que utilizem menor volume de descarga pode representar uma economia de até 40% da água.

Além da economia na conta de água, quais os outros benefícios? Ajuda o meio ambiente? Explique.

Elaine – A água é um bem natural finito, não pode ser criada, a mesma água utilizada hoje será a disponível amanhã, isso porque ela está em um ciclo. A geração de efluentes líquidos contaminados, esgoto doméstico, sem tratamento, faz com que a água disponível para o uso humano diminua. Infelizmente, bares e restaurantes estão ligados a redes de esgoto que nem sempre possuem o melhor tratamento de efluentes, e o aumento do volume de efluentes domésticos gerados por suas atividades vai contribuir diretamente para menor disponibilidade de água consumível. Sendo assim, economia de água é garantia da disponibilidade desse recurso natural! Como a prestação de serviço associada a alimentos depende diretamente desse recurso, economia de água em longo prazo também representa sustentabilidade do negócio.

*Entre atitudes recomendáveis está não “varrer a calçada” usando a mangueira. Fale sobre as consequencias disso, e como deve ser feito.

Elaine – Percebo que são os hábitos e não os equipamentos os maiores responsáveis pelos gastos excessivos de água. Usar a água como vassoura, por exemplo, lavando pisos e calçadas com esguicho representa um enorme desperdício. Quando a mangueira fica ligada por 15 minutos são perdidos 279 litros de água.  Isto significa que, se você lavar a calçada uma vez por semana gastará mais de 14 mil litros de água por ano. Em algumas cidades do Sudeste, como Bauru e Indaitauba, no Estado de São Paulo, lavar o passeio com a mangueira é prática proibida pelos Códigos de Postura Municipais, sendo passível inclusive de multa. Uma alternativa para esse “mau hábito” é o uso da vassoura e balde, ou a reutilização da água da chuva.

*Dê dicas de limpeza que economizam água, também em outros procedimentos.

Elaine – Tão importante quanto a economia é a possibilidade de reutilização de água. Algumas cadeias de lanchonetes no Estado de São Paulo estão obtendo sucesso com o aproveitamento desse recurso natural. Um dos projetos inclui a reutilização da água proveniente do sistema de ar-condicionado na limpeza externa e na irrigação do jardim. Essa medida pode representar até 100% de economia no uso de água para esta finalidade, a depender do volume de água gerado pelo equipamento de ar condicionado. Outro projeto relevante é o de captação e armazenamento da água da chuva, para uso nas partes interna e externa dos restaurantes. Essa água armazenada pode ser usada nas descargas de toaletes e na lavagem de pisos. Externamente, o recurso pode ser usado na limpeza e manutenção de jardins.

*O que mais acha importante falar sobre economia de água para as organizações?

Elaine – É importante ressaltar que economia de água é medida que representa economia para o negócio, conservação do meio ambiente, mas, também, ferramenta de divulgação para o empreendimento. As marcas associadas a posturas ambientalmente corretas possuem um diferencial cada vez mais valorizado pelo mercado. Dessa forma é possível obter empréstimos bancários em programas de incentivo a práticas a favor da preservação do meio ambiente, vantagens na negociação de prazos nos documentos junto a órgão públicos quando o negócio caminha para a gestão ambiental.

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